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Por WALLACE CARVALHO
RIO DE JANEIRO - "Armação Ilimitada" estreou, em 1985, retratando uma geração que crescia ávida por democracia, mas que queria se ver retratada em sua essência na TV. Super criativo, o seriado marcou pela ousadia ao fazer uso da linguagem dos videoclipes e abusar de referências à cultura pop, em plena década de 80. O programa desmistificava as produções televisivas. A qualquer instante o público poderia ser surpreendido com um personagem criticando o roteiro ou avisando aos telespectadores que determinada cena seria interrompida por falta de recursos.
As aventuras dos amigos de infância, Juba (Kadu Moliterno) e Lula (André Di Biase), da jornalista Zelda (Andréia Beltrão) e do menino Bacana (Jonas Torres) conquistaram os brasileiros. Na trama, os surfistas – sócios em uma empresa prestadora de serviços, eram apaixonados pela mesma mulher: Zelda, que não conseguia escolher entre os dois. Para preservar a amizade, a dupla resolve dividir a namorada. O trio decide então adotar Bacana, que fora abandonado pelos pais.
Para comemorar os 25 anos do projeto, os criadores pretendiam fazer um filme para matar a saudade dos fãs e apresentar Juba, Lula e Zelda à nova geração. A produção está parada devido a um impasse com a Globo. "Eles não aprovaram o projeto porque sou contratado da Record. Como eles são donos dos direitos da obra, estamos impossibilitados de seguir adiante", reclamou André Di Biase ao Famosidades. "É uma tremenda injustiça", desabafou.
Por conta do embargo da Globo, ainda não foi nada decidido com relação a produção do longa. Mas, André Di Biase contou como ele imagina esse reencontro. "Penso nos quatro personagens, um em cada lugar diferente do planeta, que se chamados para resolver um problema no Brasil", revela. Para os fãs, ávidos pelas aventuras da galera da "Armação" só resta uma coisa: "Vamos fazer barulho. Quem sabe eles não acabam cedendo a pressão do público?", torce Di Biase.

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André Di Biase, protagonista e criador do projeto, contou ao Famosidades que foi difícil convencer a Globo a apostar no seriado que misturava esporte, romance e ação. "Eu e o Kadu passamos um bom tempo tentando convencer a emissora a investir no projeto. Até que o Daniel Filho comprou a ideia", afirmou. O ator teve certeza que o seriado seria um sucesso após a exibição do primeiro episódio. "No outro dia eu fui ao Arpoador pegar onda, como fazia sempre. De repente, começou um alvoroço. Eram as pessoas me aplaudindo. Ali eu senti que o seriado ia estourar", lembrou.
O diretor Guel Arraes acredita que boa parte desse sucesso se deve à linguagem inovadora da atração e a edição de João Paulo de Carvalho. "O resultado final era tão incrível que, às vezes, eu não me lembrava de ter gravado determinada cena", revelou.
Nilson Xavier, autor do "Almanaque da Telenovela Brasileira", vai além. Para ele, o programa apresentou uma nova forma de se fazer humor na TV. "Mais inteligente, anárquico, que revolucionou toda uma escola de humoristas, usando gags criativas, atraindo atenção dos jovens”, explicou. Como por exemplo, as tarjas pretas que cobriam o corpo nu de Andréia em cena, quando o áudio era suspenso por causa de um palavrão dito no episódio ou quando surgiam balões com símbolos cifrados sobre a cabeça de algum personagem.
"O seriado possuía forte influência das revistas em quadrinhos e levou isso para a TV", afirmou Nara Gil, que interpretava a DJ Black Boy. Seu personagem narrava, discutia e criticava os episódios de dentro de um estúdio de rádio. "Era uma espécie de voz dos autores", contou.
Antônio Calmon foi o autor escolhido para assinar os textos, devido a sua intimidade com o tema. Para ajudá-lo, a Globo escalou um time de peso: Patrycia Travassos, atriz e escritora (na época letrista da banda Blitz e integrante do grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone), o escritor Euclydes Marinho, o produtor musical Nelson Motta e Guel Arraes na direção. Este último quase ficou de fora da equipe. "Quando me mostraram a ideia eu achei que não tinha nada haver comigo. Mas o Daniel me convenceu a aceitar", afirmou.
Nara Gil afirma que a abordagem cinematográfica usada pelo diretor foi fundamental para o êxito da atração: "Era ágil, moderno, sem ser apelativo. Tocava em temas polêmicos, sem falso moralismo, de forma criativa e divertida". Di Biase, ex-colega de elenco da filha de Gilberto Gil, concorda. "Naquela época, se arriscava muito pouco e nós arriscamos muito. Foi um momento mágico. Nosso grupo de criação era sensacional", contou. O ator considera "Armação" um dos seriados mais bem-sucedidos da teledramaturgia brasileira. "Depois do remake de 'A Grande Família', ele é o seriado de maior sucesso. Citado pela crítica e lembrado pelo público", afirmou.
Em 1985, o programa ganhou o prêmio Ondas de melhor série. O troféu, concedido pela Sociedade Espanhola de Televisão, era considerado o Oscar europeu da TV. o seriado deixou de ser exibido em dezembro de 1988, após quatro temporadas.

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A expectativa entre aqueles que assistiam o seriado para que ele estréie no cinema é grande. "Seria maravilhoso saber como estariam os personagens hoje. O que aconteceu em com eles", contou Felipe Neves, dono do fã-clube "Eternas Armações". Já o escritor Nilson Xavier não considera uma adaptação uma boa ideia, afinal os tempos mudaram.
"Eles eram novidade na época. Revolucionaram o humor. Hoje não é mais", afirmou. Nara Gil acredita que os assuntos abordados pela série são atemporais. "Esporte radicais, música, triângulo amoroso. Era moderno para época, mas esses assuntos sempre interessam a juventude", analisou. Porém, a hoje integrante da banda Moinho não aceitaria viver a DJ novamente. "Fazer o Black Boy não dá. Talvez uma participação, dependendo de como fosse. Mas, acho que não", revelou.
Outra baixa no elenco atende pelo nome de Andréia Beltrão. A atriz declarou à imprensa que não pretende voltar a interpretar a jornalista, dando início as especulações sobre uma possível substituta. Nara aposta em Débora Falabella: "Acho que ela daria uma boa Zelda". Xavier tem outro palpite: "Me veio a cabeça a Dani Calabresa, humorista da MTV". Para Di Biase, Andréia é insubstituível. Caso ela não aceite o papel, a personagem ficará de fora do filme. "Se ela recusar, vamos focar o filme na dupla Juba e Lula. Mas, eu acredito que se tivermos um projeto bem estruturado, talvez ela mude de ideia. Acho que ela não recusaria um bom roteiro", disse.
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